quinta-feira, 31 de maio de 2018

domingo, 7 de janeiro de 2018

sábado, 6 de janeiro de 2018

Os Judeus, de Yehuda Amichai

Os judeus são como fotografias exibidas em uma vitrine
todos juntos em alturas diferentes, vivos e mortos
noivos e noivas, jovens de bar-mitzva com bebês.
E há imagens reconstituidas de fotografias antigas que amarelaram.
E às vezes eles vem e quebram a vitrine
e queimam as fotos. E então começa-se
a fotografar novamente e revelar novamente
e as exibir novamente com dor e sorrindo.

Rembrandt os pintou com chapéus
turcos com belezas de ouro desbotado
Chagall os pintou flutuando no ar
e eu os pinto como meu pai e como minha mãe.
Os judeus são uma reserva florestal eterna
onde suas árvores estão de pé juntinhas, e até mesmo os mortos
não podem se deitar. Eles se encostam, ficam de pé, contra os vivos
e não se pode distinguir entre eles. Apenas o fogo
queima os mortos mais rapidamente.

E quanto a Deus? Deus permanece
como o perfume de uma bela mulher que passou certa vez
frente a eles e sua face eles não viram,
apenas seu aroma permanece, tipos de perfumes,
criador dos tipos de perfumes.

Um homem judeu se lembra da suká na casa de seu avô.
E a suká lembra por ele
a caminhada no deserto que lembra
a bondade da juventude e as pedras das tábuas da lei
e o ouro do bezerro de ouro e a sede e a fome
que lembram o Egito.
E quanto a Deus? De acordo com o contrato
de divórcio do Jardim do Éden e do Templo
Deus ve seus filhos apenas uma
vez por ano, em Yom Kipur.

Os judeus não são um povo histórico
e nem mesmo um povo arqueológico, os judeus
são um povo geológico com rachaduras
e colapsos e camadas e lava ardente.
Sua história deve ser medida
em uma outra escala.

Os judeus são lixados pelo sofrimento e polidos pelos tormentos
como pedras lisas na praia.
Os judeus são superiores apenas em sua morte
como são superiores as pedras lisas às outras pedras:
quando a mão forte as joga
elas pulam duas vezes ou três
na superfície da água, antes de afundar.

Há algum tempo encontrei uma bela mulher,
cujo avô me fez a circuncisão
muito tempo antes que ela nascesse. Eu lhe disse,
você não me conhece e eu não a conheço,
mas nós somos o povo judeu,
o seu avô que está morto e eu o circuncisado e você a bela neta
de cabelo dourado: Nós somos o povo judeu.

E quanto a Deus? Outrora cantávamos
“não existe Deus como o nosso”, agora cantamos “não existe o nosso Deus”,
mas nós cantamos, nós ainda cantamos.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

How we can face the future without fear, together



https://www.ted.com/talks/rabbi_lord_jonathan_sacks_how_we_can_face_the_future_without_fear_together#t-13407


https://www.youtube.com/watch?v=bK0tpvcIRhU

sábado, 1 de julho de 2017

LE KADDISH SERA DIT SUR MA TOMBE - O Kaddish será dito sobre meu túmulo


LE KADDISH SERA DIT SUR MA TOMBE

Née et élevée au sein d’une famille française de longue date, j’étais française sans avoir à me poser de question. Mais être juive, qu’est-ce que cela signifie pour moi comme pour mes parents, dès lors qu’agnostique – comme l’étaient déjà mes grands parents – la religion était totalement absente de notre foyer familial ?
De mon père, j’ai surtout retenu que son appartenance à la judéité était liée au savoir et à la culture que les juifs ont acquis au fil des siècles en des temps où fort peu y avaient accès. Ils étaient demeurés le peuple du Livre, quelles que soient les persécutions, la misère et l’errance.
Pour ma mère, il s’agissait d’avantage d’un attachement aux valeurs pour lesquelles, au long de leur longue et tragique histoire, les juifs n’avaient cessé de lutter : la tolérance, le respect des droits de chacun et de toutes les identités, la solidarité.
Tous deux sont morts en déportation, me laissant pour seul héritage ces valeurs humanistes que pour eux le judaïsme incarnait.
De cet héritage, il ne m’est pas possible de dissocier le souvenir sans cesse présent, obsédant même, des six millions de juifs exterminés pour la seule raison qu’ils étaient juifs. Six millions dont furent mes parents, mon frère et nombre de mes proches. Je ne peux me séparer d’eux.
Cela suffit pour que jusqu’à ma mort, ma judéité soit imprescriptible.
Le kaddish sera dit sur ma tombe.
Je suis juive.  Simone VEIL
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O Kaddish será dito sobre meu túmulo

Nascida e criada numa família francesa faz tempo, eu era francesa sem precisar me perguntar por que. Mas ser judia, o que isto significa para mim assim como para meus pais, quando sendo agnósticos - como já o eram meus avós - a religião estava totalmente ausente de nosso lar?
De meu pai, guardei somente que seu pertencimento à judeidade estava ligado ao saber e à cultura que os judeus adquiriram através dos séculos em tempos em que poucos tinham acesso a eles. Continuaram a ser o povo do Livro, quaisquer fossem as perseguições, a miséria e o exílio.
Para minha mãe, tratava-se mais de uma ligação com valores pelos quais, durante sua longa e trágica história, os judeus não deixaram de lutar: a tolerância, o respeito aos direitos de cada um e de todas as identidades, a solidariedade.
Ambos morreram nos campos da Shoá, me deixando como única herança estes valores humanistas que para eles o judaismo incorporava.
Desta herança, não me é possível dissociar a lembrança sempre presente, obsessiva, dos seis milhões de judeus exterminados pelo único motivo de serem judeus. Seis milhões, entre eles meus pais, meu irmão e muitos parentes. Não posso me separar deles.
Isto basta para que até minha morte, minha judeidade seja imprescrítivel.
O Kaddish será dito sobre meu túmulo.
Sou judia. Simone VEIL.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Anne Sylvestre Mon grand-père Louis



http://fr.lyrics.wikia.com/wiki/Anne_Sylvestre/Mon_grand-p%C3%A8re_Louis

https://fr.wikipedia.org/wiki/Anne_Sylvestre